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sexta-feira, 19 de setembro de 2025

VOCÊ SABE COMO DIZER “OBRIGADO(A)” EM LÍNGUA YORUBÁ?


Você sabe como dizer “OBRIGADO(A)” em Língua Yorubá?

A palavra “obrigado” — no caso dos homens — e “obrigada” — no caso das mulheres — está entre as expressões indispensáveis para o diálogo e a boa convivência em sociedade.

Quando alguém lhe fizer um favor ou realizar alguma ação que mereça seu agradecimento, diga: “Mo dúpẹ́!”. É assim que dizemos obrigado(a) em língua yorubá.

Vamos ver como cada pessoa do discurso pode expressar agradecimento em yorubá?

  • Mo dúpẹ́! – Eu agradeço!
  • O dúpẹ́! – Você agradece!
  • Ó dúpẹ́! – Ele/Ela agradece!
  • A dúpẹ́! – Nós agradecemos!
  • Ẹ dúpẹ́! – Vocês agradecem!
  • Wọ́n dúpẹ́! – Eles/Elas agradecem!

Como vimos, as expressões mo, o, ó, a, ẹ, wọ́n correspondem aos pronomes pessoais da língua portuguesa: eu, você (ou tu), ele/ela, nós, vocês (ou vós) e eles/elas. Já a palavra dúpẹ́ corresponde ao verbo “agradecer”.

Viu como não é difícil agradecer em língua yorubá?

A partir de agora, experimente usar essa expressão em sua comunidade tradicional. Sempre que alguém fizer algo por você, diga com alegria: “Mo dúpẹ́!” — que quer dizer eu agradeço, ou simplesmente, obrigado(a).

Referencial:

BENISTE, José. Dicionário português yorubá. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2021.

BENISTE, José. Dicionário yorubá português. 2.ed., Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014

 

terça-feira, 8 de agosto de 2023

AULA INAUGURAL DO ẸKỌ́ ÈDÈ YORÙBÁ

No último dia 07 de agosto de 2023, deu-se início à primeira turma do curso Ẹ̀kọ́ Èdè Yorùbá, ministrado pelo olùkọ́ e bàbálórìṣà Thonny Hawany, como projeto de extensão vinculado ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IFBAIANO), Campus Bom Jesus da Lapa.

A aula inaugural foi mediada pela servidora Valdineia Antunes Alves Ramos e contou com as presenças do diretor geral do Campus Bom Jesus da Lapa, professor Geângelo de Matos Rosa; do coordenador de extensão, Junio Batista Custódio; do pastor batista da cidade de Porto Velho (Rondônia), Moises Selva Santiago, o qual falou como ex-aluno do curso e entusiasta do projeto. Além da equipe formada pelas mediadoras Amanda Jardim, Mísia Nunes e pela estudante bolsista Carla Silva, o evento contou com a presença de diversos estudantes oriundos de diferentes regiões do Brasil.

Em sua breve fala, o professor Geângelo Rosa afirmou que o projeto representa um marco na relação entre o Campus Bom Jesus da Lapa e as comunidades tradicionais (Quilombolas e Povo de Terreiro) existentes no território. O coordenador de extensão Júnio Batista, por sua vez, deixou registrado seu entusiasmo com os objetivos e metas do projeto Ẹ̀kọ́ Èdè Yorùbá e também afirmou que a proposta abre portas para trabalhos mais profícuos envolvendo o setor de Extensão do IF Baiano e as comunidades tradicionais radicadas no Território Velho Chico. 

O professor Thonny Hawany, coordenador do projeto, registrou que “o Ẹ̀kọ́ Èdè Yorùbá é um curso de língua iorubá básica, na modalidade EaD, que abrangerá conteúdos básicos de história do povo iorubá, sua geografia e estudos elementares de gramática compreendendo o alfabeto, a fonética, a morfologia, a sintaxe, a semântica, a estilística, frases do cotidiano e a produção de pequenos textos. 

Depois das apresentações inicias, a aula inaugural avançou para a segunda fase, na qual foi feita a ambientação EaD dos estudantes e a ministração dos primeiros conteúdos sobre fonética e fonologia da língua iorubá, com ênfase para o alfabeto e os sons da língua. Na sequência, foram apresentadas algumas principais formas de cumprimentos e saudações e noções de tradução de textos do iorubá para o português. 

Para saber mais e acompanhar um pouco da experiência que foi o evento, acesse o link: https://www.youtube.com/watch?v=sQJsMlquB2M&t=623s



terça-feira, 14 de julho de 2020

APRENDENDO YORÙBÁ E BOAS MANEIRAS: ÌLARA

Por Thonny Hawany

Da mesma forma que o ejọ́ (intriga), que o èké (mentira) e que o olófófó (fofoca), apontamos o ìlara (inveja, cobiça) como uma prática humana danosa, tanto para quem a sente, quanto para quem ela é dirigida. Trata-se de um defeito moral.

Na cultura cristã, a inveja é tida como um dos sete pecados capitais, que se define pelo desejo incontrolável e doentio de ter o que é do outro ou de ser o que o outro é.

A inveja é diferente do desejo responsável. Desejar ter algo ou ser o que alguém é, sem trabalhar, estudar e desenvolver-se na mais ampla acepção da palavra, constitui um defeito moral, e isso é o que chamamos de desejo irresponsável, manifestado na forma da inveja.

Não é pecado ou defeito moral querer ser ou ter algo que alguém tem. O problema está na forma como esse desejo se manifesta e nas atitudes (positivas ou negativas) da pessoa que deseja.

 Deste modo, o melhor caminho é alimentar o desejo responsável de ser e de ter, sem, no entanto, desejar a destruição do outro. É preciso promover as condições necessárias para o sucesso em ser e ter: desenvolver-se pelo trabalho e pela educação formal, informal e não formal.


Fonte da imagem: Arquivo do Ẹ̀kọ́ Èdè Yorùbá por Thonny Hawany

Referências:

BENISTE, José. Dicionário yorubá português. 2.Ed., Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.
JAGUN, Márcio de. Yorùbá: vocabulário temático do candomblé. Rio de Janeiro: Litteris: 2017.

domingo, 12 de julho de 2020

APRENDENDO YORÙBÁ E BOAS MANEIRAS: OLÓFÓFÓ

Por Thonny Hawany

Como assinalamos na primeira postagem, o projeto “Aprendendo Yorùbá e Boa Maneiras” visa a ensinar palavras da língua yorùbá e, concomitante a isso, discutir questões relativas à boa convivência entre as pessoas.

Na postagem de hoje, trabalharemos com a palavra olófófó cujo significado remete para um terrível hábito que acompanha a humanidade desde os tempos mais remotos: a fofoca, também conhecida como fuxico.

Conforme os melhores dicionários de língua yorùbá publicados no Brasil, a expressão olófófó, acompanhada do verbo ser (), significa aquele que faz fofoca: o fofoqueiro. No Brasil, existem programas de rádio, de televisão e revistas especializados na “arte” de fazer fofoca. Há até fofoqueiros profissionais.

         Da mesma forma que o ejọ́ (intriga) e o èké (mentira), o olófófó constitui um desvio de conduta moral e pode, ao ser praticado, contribuir para desestabilizar as boas relações entre as pessoas que convivem nos mesmos grupos sociais.

         A fofoca diferencia-se de um diálogo necessário pela natureza contextual e pela necessidade de sua prática. Um alerta que uma pessoa dá a outra sobre algo ou alguém é quase sempre calçado de boas intenções e isso pode não ser uma fofoca. A conversa bem intencionada precisa ser direta para não cair no lugar comum da fofoca.

Embora a fofoca venha sempre disfarçada de uma ação repleta de boas intensões, seu principal objetivo é causar mais problemas do que os já existentes.

A fofoca deve ser banida de nossas vidas, devemos preferindo sempre um diálogo aberto, ponderado e responsável com as pessoas do nosso grupo social. Fica a dica!

Fonte da imagem: Arquivo do Ẹ̀kọ́ Èdè Yorùbá por Thonny Hawany

Referências:

BENISTE, José. Dicionário yorubá português. 2.Ed., Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.
JAGUN, Márcio de. Yorùbá: vocabulário temático do candomblé. Rio de Janeiro: Litteris: 2017.

sábado, 11 de julho de 2020

APRENDENDO YORÙBÁ E BOAS MANEIRAS: ÈKÉ

Por Thonny Hawany


O projeto “Aprendendo Yorùbá e Boas Maneiras” teve início com a palavra ejọ́ e, nesta postagem, terá continuidade trazendo algumas reflexões sobre a palavra èké que significa mentira, falsidade, fingimento e dissimulação.

Assim como o èjó, o èké é uma expressão da língua yorùbá, cujos significados, se praticados,  podem agir como uma overdose capaz de destruir as melhores relações interpessoais.

Èké é uma palavra que está no vocabulário popular de muitas pessoas. Não precisa ser de religião de matriz africana para saber o seu significado. Não é raro, ouvir alguém de fora dos terreiros dizer: “deixa de èké!”, ou seja: “deixa de mentira!”.

Como podemos perceber no card ao final desta postagem, o èké é um poderoso veneno antissocial, cujo antídoto está na verdade e somente ela é capaz de aniquilar os efeitos nocivos do èké.

Fonte da imagem: Arquivo do Ẹ̀kọ́ Èdè Yorùbá por Thonny Hawany

Referências:

BENISTE, José. Dicionário yorubá português. 2.Ed., Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.
JAGUN, Márcio de. Yorùbá: vocabulário temático do candomblé. Rio de Janeiro: Litteris: 2017.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

APRENDENDO YORÙBÁ E BOAS MANEIRAS: ẸJỌ́

Por Thonny Hawany


"Aprendendo Yorùbá e Boas Maneiras" é um projeto que visa despertar reflexões a respeito de questões relativas à moral, à ética e aos bons costumes com enfoque especial para o Povo de Terreiro. Isso, de certo modo, justifica a escolha do título principal do projeto e a metodologia compreendida na definição de palavras escritas em língua yorùbá.

O projeto será composto de algumas etapas imprescindíveis, a saber: a) pesquisa de palavras da língua yorùbá relacionadas com os principais sentimentos humanos capazes de alterar os ânimos de indivíduos que se inter-relacionam em determinados grupos sociais; b) definição das expressões na forma de verbetes de dicionários; c) apresentação de uma reflexão do autor a respeito do tema (significado de cada palavra) e d) apresentação de uma possível solução para o problema suscitado.

Em síntese, o projeto será publicado na forma de cards contendo as informações básicas sobre as palavras e chamando os leitores para interagir com o autor a fim de provocar reflexões e mudanças de comportamentos. Escolher os cards como forma de apresentação do produto visou facilitar ao leitor a cópia da mensagem e sua disseminação em redes sociais.

Mãos à obra: a primeira palavra escolhida para iniciar o projeto “Aprendendo Yorùbá e Boas Maneiras” foi: ejọ́ que significa intriga, contenda, ação judicial. Esta palavra é, sem sombra de dúvidas, o carro-chefe do nosso projeto.

Fonte da imagem: Arquivo do Ẹ̀kọ́ Èdè Yorùbá por Thonny Hawany

Referências:

BENISTE, José. Dicionário yorubá português. 2.Ed., Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.
JAGUN, Márcio de. Yorùbá: vocabulário temático do candomblé. Rio de Janeiro: Litteris: 2017.

sexta-feira, 16 de março de 2018

PRONOMES PESSOAIS OBLÍQUOS DA LÍNGUA YORÙBÁ


Por Thonny Hawany

Os pronomes pessoais oblíquos, também chamados de pronomes objetos, são palavras utilizadas para substituir substantivos próprios e/ou comuns que tenham, na frase, a função de objeto.

A língua yorùbá não é diferente das demais línguas do planeta com relação aos principais elementos sintáticos. Na frase em yorùbá, há sujeito, há predicado, há objeto, há adjuntos adnominais, há adjuntos adverbiais, entre outros, sobre os quais trataremos oportunamente.

Nesta matéria, para falar sobre os pronomes oblíquos (pronomes objetos), é necessário antes relembrar, minimamente, as lições de sintaxe que versam sobre os complementos verbais (objetos). Como se sabe, o objeto é o elemento sintático que complementa o sentido de um verbo. O objeto pode ser expresso por um substantivo ou por um pronome com função substantiva. Neste caso específico, veremos quando o objeto é consignado na frase por meio de um pronome oblíquo.

Para facilitar o entendimento dos pronomes oblíquos (pronomes objetos), a seguir, apresentaremos um quadro em que estarão os pronomes pessoais do caso reto (pronomes sujeitos), em português e em yorùbá,  aliados aos seus respectivos pronomes pessoais do caso oblíquo (pronomes objetos):


Pronomes retos em português
Pronomes pessoas ênfase
Pronomes pessoas (síncope)
Pronomes objetos (oblíquos)
Singular
Eu
Èmi
Mo
Mi
Tu/Você
Ìwọ
O
ou
Ele/Ela
Òun
Ò
Repetição final da vogal do verbo
Plural
Nós
Àwa
A
Wa
Vós
Ẹyin
Yín
Eles/Vocês
Àwon
Wọn
Wọn

Em língua yorùbá, os pronomes pessoais oblíquos substituem nomes com função sintática de objeto numa frase, assim como os pronomes pessoais retos substituem os nomes com função de sujeito.

Uma frase é composta, na ordem direta, por SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO VERBAL, ou seja: SUJEITO + VERBO + OBJETO. Assim sendo vamos aos exemplos:

I. Primeira pessoa do singular utilizando o pronome mi com função oblíqua:

Yorùbá
Português
Bábá mi yíò fún mi ẹ̀bùn.
Meu pai me dará um presente.

bàbá: pai
mi: meu
yíò: partícula utilizada para fazer o futuro verbal.
fún: dará
mi: me
ẹ̀bùn: presente

II. Segunda pessoa do singular utilizando as formas pronominais “” e “”:

Yorùbá
Português
Mo wò ọ. Mo wò ẹ.
Eu vejo você.

mo: eu
: vejo
: você
: você

Como vimos no quadro acima, há duas formas de fazer a segunda pessoa do singular com pronomes oblíquos. Pode-se empregar as formas “” ou “”.

III. Terceira pessoa do singular utilizando a repetição da vogal final dos verbos:

Yorùbá
Português
Ìyá mi kí olùkọ́.
Ìyá mi í.
Minha mãe cumprimenta o professor.
Minha mãe o cumprimenta.

ìyá: mãe
mi: minha
: cumprimenta
olùkọ́: professor
í: o

A terceira pessoa do singular do pronome oblíquo, em língua yorùbá, é feita com a repetição da vogal final dos verbos. Veja a expressão em negrito na frase acima: "kí í".

IV. Primeira pessoa do plural utilizando o pronome oblíquo “wa”:

Yorùbá
Português
Awokunle kí wa.
Awokunle nos cumprimenta.

Awokunle: nome próprio masculino
: cumprimenta
wa: nos

V. Segunda pessoa do plural utilizando o pronome oblíquo “yín”:

Yorùbá
Português
A fẹ́ràn yín.
Nós vos amamos.

a: nós
fẹ́rán: amamos
yín: vos

VI. Terceira pessoa do plural utilizando o pronome oblíquo “wọn”:

Yorùbá
Português
Abayomi fẹ́ràn wọn.
Abayomi os ama.

Abayomi: nome próprio feminino.
fẹ́ràn: ama
wọn: os/as

Os pronomes pessoais do caso oblíquo da língua yorùbá (pronomes objetos) variam apenas em número, visto que o gênero, no caso dessa língua, é dado pelo contexto da frase.

E assim concluímos a nossa proposta de apresentar uma reflexão sobre os pronomes oblíquos em língua yorúbà, esperando ter contribuído com o nosso leitor que anseia por saber mais sobre essa tão importante língua.

Em tempo: A discussão sobre os pronomes pessoais oblíquos em língua yorùbá não se esgota por aqui. Oportunamente, voltaremos com outras discussões que possam dar maior profundidade ao tema.

REFERÊNCIAS:
BENISTE, José. Dicionário yorùbá português. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011.
FONSECA JÚNIOR, Eduardo. Dicionário yorùbá português. São Paulo: Civilização Brasileira, 1988.
PORTUGAL FILHO, Fernandez. Guia prático de língua yorùbá. São Paulo: Madras, 2013.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

FLEXÃO DE NÚMERO NA LÍNGUA YORUBÁ: SINGULAR E PLURAL

Por Thonny Hawany

Antes de falamos a respeito da flexão de número em língua yorubá, precisamos revisitar alguns conceitos gramaticais que julgamos importantes, são eles: flexão e número.

A flexão é segundo o dicionário Aurélio um “processo de aposição de uma desinência a um radical ou tema para a expressão de categorias gramaticais, como tempo, modo, aspecto, voz, caso, gênero, número”.

Em língua portuguesa, o [-s] que colocamos ao final de algumas palavras para mudar o sentido gramatical de singular para plural e também a terminação [-mos] na forma verbal para indicar o plural da primeira pessoa do plural constituem ótimos exemplos de flexão de número.

Por sua vez, número é a expressão de algo que pode ser mensurável ainda que de forma abstrata. Para a flexão de número gramatical há dois números mensuráveis: singular e plural.

Em língua yorubá, como veremos abaixo, a flexão de número se dá de forma bastante distinta da que esboçamos acima tomando o português como exemplo.

Em yorubá, não há uma desinência especial para a indicação do plural. Os verbos e os nomes dessa língua não são flexionados; no entanto, há quatro formas diferentes para que a ideia de plural seja denotada numa expressão.

Na primeira, devemos usar o pronome pessoal de terceira pessoa do plural [àwọn=eles], quando queremos pluralizar algo que estamos falando ou escrevendo em língua yorubá. Vejamos alguns exemplos:

Èmi ní ọmọ òrìṣà. (Eu tenho um filho de santo).Èmi ní àwọn ọmọ òrìṣà (Eu tenho filhos de santo.)Oromakinde ní ẹṣin. (Oromakinde tem um cavalo.)Oromakinde ní àwon ẹṣin. (Oromakinde tem cavalos.)Mo rí ènìyàn. (Eu vi uma pessoa.)Mo ri àwon ènìyàn. (Eu vi pessoas.)

Na segunda, podemos nos valer do uso dos adjetivos numéricos (pronome indefinido) para fazer a flexão de número, como por exemplo:

Adenikẹ ní arákùnrin ení. (Adenikẹ tem um irmão.)Adenikẹ ní rákùnrin ẹ̀rin. (Adenikẹ tem quatro irmãos.)Àwọn rí ilé éje. (Eles tem sete casas.)

Na terceira, o plural poderá ser feito usando as expressões púpọ̀ (que quer dizer muito) ou a expressão ọ̀pọ̀lọ́pọ̀ (que quer dizer numeroso, abundante). Vejamos alguns exemplos:

Bàbá mi ní ọmọ ọ̀pọ̀lọ́pọ̀. (Meu pai tem muitos filhos.)Èmi ní  ọ̀rẹ́ ọ̀pọ̀lọ́pọ̀. (Eu tenho muitos amigos.)Ènìà púpọ̀ ni ọ̀rẹ́ mi. (Muitas pessoas são minhas amigas.)

Na quarta, recomenda-se usar àwọn antes do primeiro no caso em que mais de um substantivo deverá ir para o plural. Vejamos alguns exemplos:

Bàbá mi ní ẹṣin, àgùtàn àti málúù. (Meu pai tem um cavalo, um carneiro e uma vaca.Bàbá mi ní àwọn ẹṣin, àgùtàn àti málúù. (Meu pai tem cavalos, carneiros e vacas.)

Observação: Recomenda-se usar as expressões wọ̀nnì ou ìwọ̀nni antes de palavras que denotam seres inanimados.

Ọba ní afin. (O rei tem um castelo.)Ọba ní wọ̀nnì ààfin. (O rei tem aqueles castelos.)Oba ní ìwọ̀nni ilé. (O rei tem aquelas casas.)

Como em todas as línguas do planeta, o yorubá possui regras que auxiliam na administração do seu sistema linguístico, e as que apresentamos acima podem nos ajudar a compreender melhor a flexão de número nessa língua tão enigmática.

Espero ter contribuído um pouco com o aprendizado daqueles que buscam por melhor compreensão dos orin, àdúrà, oríkì e de outros textos que servem como base da prática ritualística do Candomblé.

BENISTE, José. Dicionário yorubá protuguês. 2.ed., Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.
FONTE DA IMAGEM: http://www.juntosnocandomble.com.br/2008/11/blog-post_14.html.