sexta-feira, 12 de abril de 2013

EM CACOAL, CASAL GAY RECEBE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA FIGURAREM NO CADASTRO NACIONAL DE ADOÇÃO

Por Carolina Sá

Casados oficialmente desde março de 2012 – quando obtiveram autorização judicial – o professor universitário Thonny Hawany e seu companheiro Rafael Costa querem agora adotar uma criança. Em março, quando completaram um ano de casados, receberam como presente a autorização judicial favorável de inclusão do nome do casal no Cadastro Nacional de Adoção (CNA).

O procedimento foi autorizado pelo juiz Audarzean Santana da Silva da 2ª Vara de Família da Comarca de Cacoal, e foi mais rápido do que Thonny esperava. Ele já é pai do menino Jefferson, que adotou quando bebê no estado da Bahia, agora espera ser pai novamente. Jefferson, que hoje tem 12 anos, deverá ter um irmão ou irmã adotiva em breve. “Assim como no casamento, no pedido de inclusão dos nossos nomes no CNA, não imaginávamos que fossemos lograr êxito na primeira instância. A justiça de Cacoal tem dado mostras que está à frente da justiça de muitos municípios brasileiros que se dizem mais desenvolvidos e mais humanizados”, disse Thonny.

Segundo consta no Cadastro Nacional, o município tem sete crianças e adolescentes a espera de adoção. Dois deles tem entre seis e 10 anos, três deles entre 11 e 15 anos e dois deles acima de 16 anos.

O professor espera que o processo de adoção aconteça naturalmente, sem expectativas e acredita que a criança a ser adotada vai aparecer na hora certa. “Eu acredito que a gente não pode escolher a criança, não pode escolher a cor, não pode escolher o sexo, Deus sabe que filho ele quer mandar para nós”, analisou. Porém Rafael sonha em criar um bebê, para experimentar todas as etapas da paternidade.

Como militantes dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais em Rondônia, Thonny e Rafael entendem que a adoção de filhos é um direito de todos, homossexuais e heterossexuais, sem distinção ou privilégios.

“Eu entendo a concretude de mais essa etapa na minha vida e na vida de Rafael como um exemplo para outros casais. A nossa decisão de adotar, certamente, servirá como exemplo para outros casais homo e heteroafetivos”, explicou Thonny.

Por último, o professor Thonny, quando perguntado, confessou se sentir um pouco envaidecido e orgulhoso de ter quebrado as barreiras do preconceito em relação ao casamento e ao direito de adotar. “Hoje eu me sinto envaidecido com nossas conquistas, Rafael e eu corremos atrás de nossos direitos e, com isso, acabamos por quebrar algumas barreiras impostas pela parte reacionária da sociedade”, comentou.

O processo deve seguir normalmente

O casal entrou com o pedido para adoção no final de outubro do ano passado junto à Justiça de Cacoal, pedindo autorização para fazer parte do CNA ligado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Na ocasião, apresentaram os documentos necessários ao fórum municipal, conforme preconiza o Estatuto da Criança e Adolescente. No decorrer do processo, Thonny e Rafael passaram por avaliação de um psiquiatra, de um psicólogo e de uma assistente social, dos quais tiveram laudos absolutamente favoráveis. Em menos de cinco meses receberam resposta favorável do Juiz da 2ª Vara da Infância e Adolescência de Cacoal. Em seu parecer, o magistrado considerou que o casal preenche todos os requisitos necessários, mostrando-se apto a adoção.

Fonte: http://diariodaamazonia.com.br/casal-entra-no-cadastro-nacional-para-adocao/

 

ABREVIATURA DE HORA EM LÍNGUA PORTUGUESA


Por Thonny Hawany

Tenho observado que, por parte da maioria das pessoas e das empresas, há certa predileção pela forma de representação de horas em língua inglesa. Isso é estrangeirismo e, como tal, constitui um vício de linguagem para a língua portuguesa.

A representação de horas da forma como está prevista na gramática da língua inglesa, para os países em que se fala tal idioma, não é errada; no entanto, constitui um desvio (um erro) se usada no Brasil ou nos demais países que têm a língua portuguesa como idioma oficial.

A forma como uma pessoa ou uma empresa utiliza a língua pode enaltecê-la ou depreciá-la perante a sociedade na qual está inserida.

Para não sofrer depreciação perante nossos pares, é importante seguimos a regra: a representação de horas segundo a gramática da língua portuguesa é: o número da hora sem o zero à esquerda (de 1 a 24) + “h” minúsculo + o número dos minutos sem o zero a esquerda (de 1 a 59) + a abreviação “min” (sem ponto), tudo sem espaço. Veja alguns exemplos

Use 10h30min e não 8:30
Use 8h29min e não 8:29
Use “o evento terá início às 8h10min.” E não 8:10
Use “a palestra terminou às 22h15min.” E não 22:15
Use 8h – Início do evento. E não 8:00
Use 9h30min – Parada para o cafezinho. E não 9:30


Bom uso da língua a todos.

terça-feira, 12 de março de 2013

TRAVESTI INGRESSA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR EM CACOAL PARA CURSAR SERVIÇO SOCIAL

Por Thonny Hawany
Mikaela no seu primeiro dia de aula.
Mikaela Cândida é uma travesti cacoalense, bastante conhecida no Estado de Rondônia e no circuito brasileiro do movimento LGBT em virtude de sua militância carismática e em face de seus posicionamentos sempre pautados por certezas e segurança.

Como a maioria das travestis e transexuais do Brasil, Mikaela, desde muito cedo, foi convidada pela sociedade a fazer parte de uma triste estatística em que figuram milhares de profissionais do sexo, que trabalham marginalizadas e sem nenhum reconhecimento social e legal das estruturas governamentais.

Há, aproximadamente, sete anos, Mikaela conheceu o movimento LGBT quando passou a fazer parte do Grupo Arco-Íris de Rondônia, fundado por mim em novembro de 2006, na cidade de Cacoal. Pouco tempo depois, Mikaela recebeu a oportunidade de figurar como membro do Conselho Superior do Grupo, exercendo a tesouraria, no mandato da então presidenta Guta de Matos.

Como representante do Arco-Íris de Rondônia, Mikaela viajou por todo o Brasil representando o segmento LGBT da região centro-sul do Estado em reuniões, congressos, seminários e conferências. Mikaela deixou as ruas e entrou para a história.

Mikaela, como toda pessoa que nasceu para vencer, não parou mais de crescer. Foi eleita a primeira travesti membro do Conselho de Saúde no Município de Cacoal. Assim que terminou seu mandato como conselheira, as autoridades políticas, em reconhecimento ao seu trabalho, nomearam Mikaela como secretária executiva daquele Conselho onde permanece até hoje desenvolvendo um trabalho inquestionavelmente ético. 

No final de 2011, Mikaela sagrou-se vice-presidente do Grupo Arco-Íris de Rondônia, no qual vem desenvolvendo importante influência política na consagração de direitos LGBT, com ênfase para os direitos de travestis e transexuais.

Em 2012, idealizou importante cartilha que orienta a sociedade como se comportar diante de clientes e pacientes travestis e transexuais (texto ainda não publicado). NO mesmo ano, exerceu forte influência na aprovação de importante portaria do Conselho Municipal de Saúde de Cacoal, pela qual os servidores públicos municipais são orientados a tratar travestis e transexuais segundo seu gênero e aparência. 

Mikaela não para... No dia 8 de março de 2013, dia internacional da mulher, surpreendendo a todos e a todas, ela passou ente os primeiros colocados no vestibular e ingressou para cursar Serviço Social na UNOPAR – Campus de Cacoal. Daqui a exatos 4 anos, Mikaela será mais uma travesti com nível superior no Estado de Rondônia a serviço da mesma sociedade. Que orgulho!

Em face do exposto, só nos testa parabenizar Mikaela Cândida pelo seu brilhante sucesso e torcer para que o seu exemplo seja seguido por milhares de travestis e transexuais que só têm o relento como casa e uma esquina como trabalho.

Que o exemplo de Mikaela possa mudar o olhar da sociedade com relação à comunidade LGBT e entender que só queremos liberdade de ação, igualdade e dignidade. Esperamos também que todo esse sucesso, Mikaela, seja apenas o começo de tudo o quanto você ainda significará para o Planeta Terra.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

ESTADO DE SÃO PAULO INSTITUI NORMA PARA O CASAMENTO CIVIL HOMOAFETIVO

Por Thonny Hawany

Agora é lei. O Estado de São Paulo obriga todos os cartórios a habilitarem homossexuais para o casamento civil segundo publicação no Diário Eletrônico da Justiça de terça-feira, dia 18 de dezembro de 2012. A medida deverá entrar em vigor em 60 dias.

Aproveitando o ensejo, Luiz Carrieri e seu companheiro deram entrada na sua habilitação para o casamento civil no 20º Cartório Civil de São Paulo. Luiz Carrieri e seu convivente vivem em união estável há aproximadamente 38 anos. Nada mais justo que consagrarem essa união já abençoada por Deus há tanto tempo. Cabe também lembrar que a união estável não é mais pré-requisito para o casamento civil homoafetivo.

A decisão da justiça do Estado de São Paulo é um exemplo para outros Estados da Federação em que os casais ainda precisam provocar a justiça para se casarem. No Estado de São Paulo, os casais poderão se habilitar diretamente nos cartórios e não mais terão que esperar parecer do Ministério Público e homologação do juiz. Essa decisão representa uma vitória do movimento LGBT brasileira.

EPIGENÉTICA: UMA POSSÍVEL ORIGEM DA HOMOSSEXUALIDADE

Por Thonny Hawany

Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia publicou importante pesquisa que propõe um novo modelo para explicar a homossexualidade. Trata-se da epigenética: a forma como os genes são lidos pode determinar se o indivíduo terá orientação homossexual ou heterossexual.

Com base no modelo de estudos propostos, a homossexualidade é uma herança que os filhos herdam dos pais. Assim sendo, a homossexualidade se dá na transmissão, de pais para filhos, de marcadores que são responsáveis pelo funcionamento dos genes que definem a sexualidade do indivíduo.

O estudo publicado em dezembro de 2012 na revista científica “The Quarterly Review of Biology" tem como seu principal autor o cientista William Rice, da Universidade da Califórnia.

Conforme já vimos acima, a epigenética constitui um conjunto de características biológicas responsáveis pela leitura dos genes que os filhos herdam dos pais. Os marcadores epigenéticos são moléculas que, ligadas ao DNA, determinam o comportamento dos genes.

A pesquisa apresenta importantes pistas para se explicar a homossexualidade, no entanto é necessário cautela. A homossexualidade é algo muito complexo e não pode ser generalizada ou explicada numa única pesquisa teórica.

A epigenética pode explicar parte das dúvidas sobre a origem da homossexualidade, mas ainda não é a carta final sobre o assunto. Devemos comemorar os avanços e torcer para que tais pistas signifiquem o ponto de partida para definições mais concretas sobre o assunto.

Fonte: Folha/Uol

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

CACOAL TEM A PRIMEIRA TRAVESTI PEDAGOGA


Por Thonny Hawany

Nesta quarta-feira, dia 28 de novembro de 2012, por volta das 18 horas e 30 minutos, no pólo da UNOPAR, no município de Cacoal, a travesti Guta de Matos, conhecida militante LGBT do Estado de Rondônia, apresentou o seu trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia na presença de professores e de alunos concluintes do curso de Pedagogia da UNOPAR.

Emocionada, Guta, antes da brilhante apresentação, agradeceu a presença de seus amigos Mikaela Cândida, Thonny Hawany, Rafael Costa, Jefferson Silva e também dos seus professores e dos seus colegas do curso de pedagogia da UNOPAR.

Em seu trabalho, Guta de Matos defendeu a importância da parceria entre a escola e a família na construção de uma educação de qualidade. Segundo Guta, quando a família se une à escola, o ensino e a aprendizagem atingem o seu maior nível de importância e qualidade.

“Quando falo de família, em meu trabalho, não falo somente da família tradicional, falo da família moderna que ganhou novos formatos, a exemplo do que hoje se entende por família homoafetiva. Independente de pai e mãe, de dois pais, ou ainda de duas mães, a criança precisa ser assistida no seu processo de aprendizagem escolar. É importante que a escola abra seu espaço físico e pedagógico para a família e que a família faça de seu lar uma extensão da escola. Quem ganha com essa parceria é o educando” Afirmou Guta.

Mais adiante, quando apresentou o capítulo da monografia que trata da parceria família/escola, novamente, Guta, emocionada falou de sua trajetória na escola e do preconceito que sofrera por falta do apoio da família e também de educadores preparados para lidar com as diferenças. “Senhores pedagogos, senhoras pedagogas, quando estiverem no exercício de sua função, ao se depararem com uma criança que sofre de preconceito em virtude de sua cor, de seu credo, ou de sua orientação sexual, lembrem-se de mim e impeçam que essa criança morra socialmente. Eu consegui me recompor, mas muitas travestis que conheço não tiveram a mesma força e vergaram-se socialmente” Emendou Guta.

A partir deste momento, Guta de Matos não é só a primeira travesti com nível superior no Estado de Rondônia, ela é a representação viva da vitória do movimento LGBT no Estado. Segundo a travesti Mikaela Cândida, vice-presidenta do Grupo Arco-Íris de Rondônia, “Guta deu um exemplo a todas as travestis. Ao cursar nível superior com êxito, ela nos mostrou que é possível vencer na vida e ocupar melhores espaços na sociedade”.

Em síntese, Guta de Matos entrou para a história do Município de Cacoal ao se graduar em Pedagogia. Ela venceu uma das grandes batalhas, mas a guerra ainda não terminou, é preciso que ela vença o preconceito como profissional da educação. Esperamos que a sociedade abra espaço para que Guta mostre que é tão capaz de exercer o magistério como qualquer outra pessoa.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

TRAVESTIS E TRANSEXUAIS GANHAM ATENÇÃO DO CONSELHO MUNICIPAL DE SAÚDE EM CACOAL

Por Thonny Hawany
 
Na última reunião do Conselho Municipal de Saúde da cidade de Cacoal, no dia 12 de novembro de 2012, o Pleno discutiu e aprovou a proposta apresentada pelo Grupo Arco-Iris de Rondônia (GAYRO) para que todas as travestis e transexuais, no âmbito de abrangência do Conselho, pudessem ser identificadas pelo nome social.
 
Para decidir, o Conselho considerou a Portaria nº 1.820, de 13 de agosto de 2012, do Ministério da Saúde que dispõe sobre os direitos e deveres dos usuários do SUS, em seu Art. 4º inciso I; a Portaria nº 233 de 18 de maio de 2010 do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, em consonância com a política de promoção e defesa dos direitos humanos e também a Portaria nº 1.612, de 18 de novembro de 2011 Ministérios da Educação que trata do mesmo assunto.
 
Decorrente da decisão do Pleno, o Conselho editou a Portaria n° 0015/2012 que dispõe, em seu texto, de uma serie de orientações a serem consideradas em relação aos registros e tratamento de pacientes e funcionárias travestis e transexuais no âmbito da saúde municipal.
 
Para Guta de Matos, conhecida militante LGBT, a decisão representa uma vitória. “Não é de hoje que lutamos por nossos direitos. Saber que um segmento da importância do Conselho Municipal de Saúde, do qual já fiz parte, editou uma portaria orientando tratamento digno e humanitário a nós travestis, é motivo de muita alegria”.
 
Para Mikaela Cândida, vice-presidenta do Grupo Arco-íris de Rondônia, a resolução 015 é uma vitória da militância. “Hoje eu posso dizer que meus direitos estão começando a ser respeitados [...] Ser chamada pelo nome com o qual me identifico é o mínimo que espero das pessoas. O Conselho de Saúde tomou uma decisão honrosa. Estou feliz.” Emendou Mikaela emocionada.
 
A portaria 015 entrou para a história da militância LGBT do Estado de Rondônia. O Conselho de Saúde do Município de Cacoal saiu na frente e escreveu, nos registros históricos do Estado, que os direitos humanos são para todos conforme preconiza a Constituição Federal.
 
Em entrevista, Edna Mota, presidenta do Conselho, afirmou que a decisão tomada pelo Pleno representa um avanço no entendimento da sociedade e das políticas públicas contemaporâneas. “O Conselho de Saúde do Municipio de Cacoal é um órgão do povo que trabalha em favor do povo independente da cor, da raça, da religão, do sexo, da orientação sexual ou de quaisquer outras diferenças”. Constou Edna Mota.
 
A partir de agora, todos os órgãos públicos de saúde, localizados no município de Cacoal, estão orientados a instruir seus servidores no tocante ao tratamento das pessoas travestis e transexuais. A inclusão do nome social não é uma sugestão é norma de instâncias superiores e agora é resolução do Conselho Municipal de Saúde. Direitos humanos já! Igualdade, liberdade e respeito a nossa dignidade, é tudo o que queremos, nem mais, nem menos.

 
 

domingo, 18 de novembro de 2012

ATIVISTA LGBT GOIANO MORRE NO NORDESTE


Por Thonny Hawany
 
Por isso que este domingo está mais triste, pouco ensolarado, cinzento. Hoje, dia 18 de novembro de 2012, foi encontrado morto, na praia do Cabo de Santo Agostinho, nas proximidades da cidade de Recife, no Pernambuco, o jornalista goiano e ativista LGBT, Lucas Cardoso Fortuna, de 28 anos de idade. Ainda não se sabe nada sobre o crime e sobre os criminosos.
 
Conforme informações preliminares, o corpo foi encontrado trajando roupas sumárias e com fortes sinais de espancamento. Ainda segundo uma amiga, o jornalista havia se dirigido a Cabo de Santo Agostinho para atuar como árbitro de uma partida de vôlei. Lucas foi visto pela última veza no sábado dia 17/11, na sacado do hotel.
 
Aí está mais um caso de crime contra ativista LGBT que será tratado como homicídio comum, ainda que tenha sido cometido por força do ódio contra sua orientação sexual. Lucas será enterrado em seu estado de origem: Goiás.
 
Esperamos que esse crime não fique impune como tantos outros ocorridos em circunstâncias semelhantes. Que a morte de Lucas Cardoso Fortuna seja esclarecida e que o(s) criminoso(s) seja(m) punido(s) com o rigor que merece(m).
FONTE DA NOTÍCIA: Facebook.com

sábado, 17 de novembro de 2012

CACOAL RAINBOW FEST - SÉTIMA EDIÇÃO

Por Thonny Hawany

 
A Cacoal Rainbow Fest é mais que uma festa. Trata-se de um evento criado em 2006 com a finalidade de dar visibilidade ao movimento LGBT que estava sendo criado no município de Cacoal que mais tarde veio a se denominar de Grupo Arco-Íris de Rondônia (GAYRO).
Naquela época tudo era muito mais difícil. Falar de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais ainda era um tabu no interior do Estado de Rondônia, quanto mais falar em fazer uma festa para confraternização de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Pensando em não afrontar a sociedade, fizemos a primeira festa há aproximadamente cinco quilômetros de Cacoal, no espaço denominado Castelinho do Cupim. Hoje, em face das conquistas, sete anos depois, estamos realizando a Rainbow no centro de Cacoal, no Armazém.

Desde sua primeira versão, a Cacoal Rainbow Fest conta com a presença de heterossexuais amigos e simpatizantes do movimento LGBT. Com o decorrer dos anos, a presença dos amigos heterossexuais e de familiares tem aumentado gradativamente.

Neste ano, a comissão organizadora quer mostrar que homossexuais e heterossexuais podem conviver em harmonia, por isso, a Cacoal Rainbow Fest de 2012 tem como objetivo reunir o maior número possível de heterossexuais e homossexuais no mesmo lugar para confraternizarem entre si num evento inclusivo.

A Cacoal Rainbow Fest contará com a presença marcante do DJ oficial da Parada Gay de Porto Velho, Revanche, com o VJ Amarildo Bezerra, também de Porto Velho, com os shows de Guta de Matos, Jordana Ferreira, Mikaela Cândida, Jandira Caçambão e Sharis Danúbia, além de outras atrações que ainda estão por confirmar.

A Cacoal Rainbow Fest acontecerá no dia 8 de dezembro, no conhecido Armazém. Segundo a comissão organizadora, além dos shows, estão sendo preparadas iluminação e decoração especiais para o local do evento. A 7ª Rainbow será o ponto de partida para a realização da 1ª Parada do Orgulho LGBT de Cacoal. Venham e divirtam-se em companhia de muita gente bonita.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

SEGUNDO CASAMENTO HOMOAFETIVO SERÁ CELEBRADO EM RONDÔNIA

Por Thonny Hawany

Porto Velho terá o segundo casamento homoafetivo do Estado de Rondônia. O Tribunal de Justiça do Estado corrige decisão de juiz de primeira instância que negou homologação ao segundo casamento homoafetivo do Estado.

O casamento é de duas mulheres que já vivem em união homoafetiva há, aproximadamente, quatro anos. Segundo o corregedor geral de justiça do TJ de Rondônia, o lúcido desembargador Miguel Mônico, em decisão que fora publicada hoje dia 22 de outubro de 2012, não há o seu se negar direito a quem os tem. Principalmente depois da decisão do STF em maio de 2011.

A decisão de primeira instância foi do senhor juiz Amauri Lemos, titular da 2ª Vara de Execuções Fiscais e Registros Públicos da Comarca de Porto Velho. No seu entendimento, apesar do inquestionável parecer o Ministério Público o juiz não encontrou na lei respaldo para a sua homologação. Será que o respeitável magistrado leu a Constituição Federal? Desculpe, não resiti, tive que ironizar.

Veja só o que prolatou o MM juiz: "a despeito do entendimento da ilustre representante do Parquet (MP) e das demais opiniões favoráveis, e entendendo também que as pessoas devam ter e usufruir os mesmos direitos, sem qualquer forma de discriminação, por mais que seja louvável o pedido inicial, não encontro guarida na legislação nacional". Esse discurso é no mínimo o maior de todos os paradoxos.

Segundo publicou o site Tudo Rondônia, o senhor juiz ainda anotou em sua decisão: "a Constituição Federal, quando discutida, elaborada e formulada pelos constituintes originários, não previu o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se assim for a vontade do constituinte derivado que o faça, mas a meu ver, não cabe ao Judiciário imiscuir-se nos assuntos do legislativo, quando este, inclusive, já discute projetos de lei contra e a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Bem assim o novel Código Civil estabelece que o casamento civil será realizado entre homem e mulher, ou seja, pessoas de sexos opostos". Sem comentários.

Veja ainda o que disse o magistrado ao negar o pedido de casamento: "até que se modifique o atual entendimento, o STF em recente decisão reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo, como entidade familiar, e não ao status de casamento civil. Em temas conflitantes e acalorados como este, em que a legislação constitucional e infraconstitucional não prevê o casamento requerido, e tratando-se de uma constatação que vem tomando corpo e realidade, nada melhor do que deixar ao poder legiferante e legítimo para, em seu palco próprio de atuação, declarar pelos meios". E enquanto os tais “legiferantes”, doutor, discutem que religião deve ocupar os poderes do Brasil e se ser gay é pecado ou não, a justiça não pode deixar de fazer justiça às pessoas que se amam e que querem viver dignamente à luz da legalidade.

Graças a Deus, a decisão do desembargador foi totalmente contrária. Segundo ele "... não se pode medir a dignidade de um ser humano pelo seu sexo, sua cor, pela sua condição social etc., tampouco pode ser aferida essa dignidade pela sua equivocadamente chamada de 'opção sexual'. O ser humano é HUMANO". Isso sim é fazer justiça. O magistrado não pode ter medo de enfrentar as questões sociais.

O senhor desembargador, tomando como base a decisão do STF sobre tal matéria, fundamentou: "... deve-se [...] excluir todo o significado que impeça o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo, entendida esta como sinônimo perfeito de família. Segue-se ainda das conclusões dos julgados referidos que, se é verdade que o casamento é a forma pela qual o Estado melhor protege a família, não há de ser negada essa via a nenhuma família que por ela optar, independentemente de orientação sexual dos partícipes, pois todos os seres humanos gozam da mesma dignidade [...]. Por derradeiro, os arts. 1514, 1521, 1523, 1535 e 1565 do CC não vedam o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não há vedação implícita e a omissão legislativa não poderia perpetuar, ainda que em nome de uma pretensa democracia, a perda de direitos civis de eventual minoria, sobretudo diante dos princípios do pacto fundante".

Em face do exposto, notadamente, presenciamos com essa decisão do nobre desembargador mais um passo da comunidade LGBT de Rondônia rumo a um futuro de igualdade e de respeito à dignidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Congratulo a justiça de Rondônia por mais essa importante decisão. Avante homens e mulheres de bem que amam e que querem constituir famílias homoafetivas às sobras da legalidade. Coragem!

FONTE: http://www.tudorondonia.com.br/noticias/uniao-homoafetiva-tjrondonia-aceita-pedido-para-que-duas-mulheres-possam-se-casar-,32463.shtml

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

GOTAS DE AMOR

Por Thonny Hawany





Ah
se eu
pudesse
não perderia
por nada desse
mundo esse coquetel
mágico de palavras alcoólicas
cantaria quantas vezes pudesse
para embalar a alma mais bela
tocaria as cordas do tempo
como violino deitado
no ombro da noite
choraria

Ó
anjo
translúcido
que baila na doce
íris de meus negros olhos
que mareja que chora que ri
que sussurra feito flauta doce
que beija meus cálidos lábios
que me salva em perdição
tranquiliza e seduz
minh’alma
súplice

Ó
anjo
da noite
que me envolve
em sonhos plácidos
sobeja-me de teu amor
farta-me de teu desejo
que das estrelas caia
sobre mim tua luz
mais serena
teu amor
mais
fiel

JI-PARANÁ REALIZA SUA SEGUNDA PARADA LGBT

Thonny Hawany

Com o tema “Homofobia tem cura”, mais de 300 LGBT e simpatizantes da causa marcharam pelas principais ruas e avenidas de Ji-Paraná, neste domingo, dia 14 de outubro de 2012, arrastando um arco-íris de alegria e de protesto.

Segundo Fabrício Xavier, um dos organizadores da Parada, o apoio do poder público foi quase insignificante, além de uns poucos preservativos e de algumas estadas e passagens, os governos municipal e estadual silenciaram-se diante do manifesto. Como diria um conhecido jornalista brasileiro: “Isso é uma vergonha!”.

A concentração da Parada teve início por volta das 16 horas, no pátio de um posto de gasolina, próximo à BR 364. Às 18 horas, a Parada saiu em direção à Avenida Brasil, subiu até a T 13 e desceu a Curitiba, em direção ao espaço cultural denominado Beira Rio, às margens do Rio Machado, onde houve mais manifestos.

Agitando flâmulas coloridas, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, aliados e aliadas, todos muito felizes, dançavam embalados pela música de um pequeno carro de som. À medida que o cortejo avançava pelas ruas, pequenos grupos de pessoas, bem colocados nas calçadas, acompanhavam com admiração e respeito o manifesto. Por vezes, chegaram a aplaudir a manifestação.

Segundo afirmou Fabrício Xavier ao site G1: “Não adianta dizer que o preconceito não existe. A homofobia está em todos os lugares. Por isso hoje nós estamos aqui fazendo um apelo para a sociedade, que respeite a orientação sexual de cada cidadão”.

As novidades deste ano ficaram por conta do aumento de pessoas heterossexuais na Parada LGBT e pelo marcante respeito às religiões. Todas as vezes que o grupo se aproximava de uma igreja ou templo religioso em funcionamento, o carro de som era silenciado em respeito ao direito constitucional de liberdade de crença.

Para Guta de Matos, conhecida militante LGBT de Rondônia, o importante não é o número de pessoas que uma parada arrasta, mas a sua proposta política. “Independente da quantidade, o que vale mesmo é a qualidade”, emendou Guta de Matos.

Segundo Adriano de Souza: “As paradas do orgulho LGBT estão se disseminando por todo o interior do Brasil e isso é um claro sinal de amadurecimento político da população LGBT”.

“Não podemos nos silenciar diante daqueles que não reconhecem os nossos direitos. É preciso marchar em direção à igualdade, à liberdade e ao respeito a nossa dignidade LGBT, afirmou Denise Limeira em seu discurso inicial.

A Parada contou com o apoio da Polícia Militar e de agentes do EMTU que controlaram o trânsito e garantiram a segurança de todos os que participaram.