quarta-feira, 11 de março de 2020

ÌPẸ̀TẸ̀


Organizado por  Thonny Hawany

O ìpẹ̀tẹ̀ é um prato de origem africana feito à base de inhame, geralmente, servido para Ọ̀ṣùn. No Brasil, há muitas casas que usam o nome da comida para intitular a festa em louvor à Ọ̀ṣún, na qual é servida a comida do mesmo nome.


INGREDIENTES:

1 kg de inhame
500 g de camarão seco
100 ml de azeite de dendê
1 cebola grande picada
Sal a gosto



MODO DE FAZER:
1.  Descasque e cozinhe o inhame com um pouco de sal, até ficar no ponto de ser amassado.
2. Depois de cozido, amasse o inhame em ponto de purê e o reserve.
3. Frite a cebola picada no azeite de dendê até dourar.
4. Acrescente o camarão previamente cozido, o purê de inhame e sal a gosto.
5. Mexa a mistura até ficar tudo uniforme.
6. Preferencialmente, todo o processo deve ser feito em fogão a lenha, usando panela de barro e colher de pau.

MODO DE SERVIDOR
1. O ìpẹ̀tẹ̀ deve ser servido para Ọ̀ṣùn em alguidar de barro ou em vasilha de louça branca/amarela forrada, por dentro, com folhas específicas. (Lembre-se das orientações de Ògún)
2. Na sala, ou seja, nos atos externos, o ìpẹ̀tẹ̀ é servido com colher de pau, em folhas específicas ou colocado nas mãos das pessoas. (Lembre-se das orientações de Ògún).

ORIN DO ÌPẸ̀TẸ̀
Ògún je
Ògún já dé'rọ́
Ipẹtẹ́ akún yan
Ode mọ̀ dé’rò
A járe o ọfẹ́
Ìpẹ̀tẹ̀ a kún iyán

TRADUÇÃO CONTEXTUAL:
Ògún comeu,
Ògún se acalmou.
No Ìpètè se fartaram de comer,

POR QUE SERVIR O ÌPẸ̀TẸ̀?
O ìpẹ̀tẹ̀ é uma comida servida à Ọ̀ṣùn para despertar a maternidade, a fertilidade, o nascimento. Trata-se de uma comida servida a todos os guerreiros a fim de lhes dar vitalidade, coragem, poder e virilidade. O ìpẹ̀tẹ̀ desperta o amor, a riqueza, a alegria, a paz, a confiança, a felicidade, entre outros sentimentos positivos. O ìpètè nos livra de todas as maldições.

ìTÀN ÌPẸ̀TẸ̀:
Conta-se que Ọ̀ṣùn estava com enormes problemas no ventre e isso fazia com que ela não engravidasse. Era o seu maior desejo. Para resolver essa questão, ela resolveu procurar Òrúnmìlà.
Ọ̀rúnmìlà, ao analisar o caso de Ọ̀ṣùn sugeriu que ela, seguindo um preceito, fizesse uma comida para todos as suas irmãs, ela achou isso impossível, visto que cada uma comia algo diferente.
Ọ̀rúnmìlà então lhe disse: “esforce-se em criar algo que todas comam”.
Ọ̀ṣùn respondeu: “mas como?”
Ọ̀rúnmìlà de pronto falou: “vá até uma estrada que pareça não ter fim, caminhe por um tempo e encontrará um homem que lhe presenteará com uma raiz”.
Desconfiada, mas sem opções, no dia seguinte, nos primeiros raios da manhã, Ọ̀ṣùn pôs-se a caminhar a procura da tal estrada, passou por matas, rios, caminhos íngremes e também por vias estreitas de pedras.
Depois de certo tempo, ela encontrou a estrada, caminhou, descansou e caminhou, até que avistou o homem da profecia de Ọ̀rúnmìlà: era Ògún.
Ọ̀ṣún não deixava os seus rios, as suas terras e o seu palácio por nada. Ela não gostava de sair e sua presença ali tão distante espantou Ògún que lhe perguntou: “o que faz aqui Ọ̀ṣùn?”.
Ọ̀ṣùn contou tudo a Ògún que foi a uma margem da estrada e lhe trouxe uma raiz chamada iṣu (inhame) com a qual ela deveria fazer uma comida chamada ìpètè: a comida que acalma. Antes de ir embora, Ọ̀ṣún pergunta a Ògún o que ele queria receber de volta em troca da raiz.
E Ògún encantado com a beleza de Ọ̀ṣùn responde-lhe: “Nada! Tenho apenas uma observação: não se esqueça de cobrir o seu orí com uma folha de abre caminhos antes de sobrepor a panela de ìpètè que deverá conter todas as pedras de suas irmãs.
Òsùn ouviu atentamente as recomendações de Ògún, fez tudo conforme orientada e pouco tempo depois nascia Logún Edé (o primogênito querido de Ọ̀ṣùn).

Fonte: conhecimentos adquiridos na experiência no terreiro e na tradição oral.


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